Quando o ano passado foi lançado pela primeira vez o Retiro de Inverno, sobre o tema do perdão, houve alguns comentários sobre o quanto isso soava a “coisa de igreja” ou a “seita religiosa”.

Posso compreender esta postura se olhar para o historial cultural em que vivemos, marcadamente vincado pela igreja católica (e pelas suas regras) e pela repugna ao que é pagão. Pois, aqui o perdão é visto como algo religioso através do qual ocorre a ascensão, no caminho da salvação. Fora deste contexto é visto de uma forma bastante mais ligeira. Pedir desculpa é algo cultural e de boa educação.

Pois bem, vou começar por dizer que RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE SÃO COISAS DIFERENTES. Ainda que já muito se tenha dito sobre isto, sinto que ainda existe uma enorme confusão.

Todos podemos desenvolver a nossa espiritualidade, a nossa ligação connosco e com a Natureza (a Terra, o Céu, a Lua, as Estrelas, etc.), a nossa fé em nós e na humanidade, sem a crença em Deus, Buda, Alá, Judas, etc.

Mas, claro que também podemos desenvolver a nossa espiritualidade através da crença, ligação e conexão aos “Deuses” nos quais depositamos a nossa fé. Ou seja, através de uma religião.

Está tudo certo, desde que faça sentido para cada um. Agora o que não podemos generalizar é que apenas quem segue determinada religião é que é um ser muito espiritual.

Espirituais somos todos, tenhamos ou não consciência disso! Tenhamos ou não uma religião que seguimos!
Depois disto, preciso também de dizer que o PERDÃO nada tem a ver religião, mas tem tudo a ver com espiritualidade e desenvolvimento pessoal. Não devemos perdoar porque ascendemos num caminho especialmente iluminado para nós, como reconhecimento da nossa bondade e generosidade; mas sim, porque nós precisamos de viver em paz, livres de guerras internas (muitas das vezes inconscientes) e sem as amarras que estados emocionalmente densos, como a raiva, a dor, a angustia, o ressentimento, etc. nos causam.
O perdão não é (apenas) para o outro. Somo nós que merecemos a tranquilidade advinda de um processo de perdão. Não nos deixemos enganar pela tentativa de responder às expectativas sociais. Nós procuramos o perdão, em primeiro lugar, por nós. Porque muitas das vezes já não aguentamos o aperto no peito que carregamos à tempos e tempos (às vezes anos, outras vezes uma vida inteira) ainda que continuemos a negar sentir raiva.

Quando falo disto, são poucas as pessoas capazes de assumir em si este sentimento de raiva. Sinto às vezes que olham para a raiva como algo tão desprestigiante, negativo e desvalorizante, que elas já mais seriam capazes de sentir algo semelhante.

Bem, devo agora dizer, que felizmente o perdão, tal como a emoção que o torna necessário – a raiva – são legítimos e cientificamente estudados pela Psicologia Positiva.

Sejamos sensatos e sinceros connosco: todos já tivemos nas nossas vidas experiências, situações e pessoas, que nos causaram uma raiva imensa; outras que deixaram marcas profundas de dor e tristeza; outras que dizemos que esquecemos, mas a determina altura, expostos a um pequeno estimulo, tudo se reativa na nossa cabeça e lá vem todo um conjunto de memórias, que nos fazem sentir revolta, vontade de vingança ou até um desejo imenso que o Universo ou o nosso “Deus” se encarregue de cumprir o velho ditado “Cá se fazem, cá se pagam!

Por isso… Felizes aqueles que sentem e se permitem sentir. Porque só assim continuação a ascender no caminho de uma melhor relação consigo e com os outros (na família, com o marido/esposa, namorado/a, com os filhos/as, com os amigos, com os colegas de trabalho, etc.)!

O Retiro Inverno – Perdão, transformar o sofrimento em esperança é já dia 1, 2 e 3 de Março, em Coruche

VENS?
geral@retirosdasestacoes.com


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